sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

" La Folie... sempre me lembro de ouvir o mar..."



Sempre me lembro de ouvir o mar”, como se as margaridas estivessem sempre presentes,
 naquele ondear tão suave,
 tão meu conhecido das marés,
 e os cheiros de novo brotam alguns ainda desconhecidos irrepetíveis como se nestas coisas de sonho da realidade,
 se encontrassem alguns caminhos
sem regressos anunciados das saudades,
 prefiro sempre os sossegos de algumas nuvens tapando astros escondidos algures na aurora boreal que emite espirais sem um final definido
 nas loucuras de um bêbedo
 sentado num degrau sujo,
 vomitando bílis, rindo
 da garrafa vazia,
...
e parte-se o vidro na rua deserta estilhaçam-se algumas estrelas que implodem mas que ficam visíveis numa eternidade que quero pelo prazo de uma vida,
 revolta na revolução do pensamento
 no sentir, que senti algures
 numa breve pausa
 nem breve o instante,
...
apenas o tempo de um raio de uma chuva de meteoros que jamais se esquece iluminando a escuridão nos clarões contínuos de um fogo fátuo boitatá que se dizia dizimar o índio,
 estória na noite dos trovões,
 esperando a rododáctila,
 numa rosada mão aberta,
...
afugentando todas as trevas,
 pesadelos,
 afugentando o autólico que irrompe das masmorras destecendo os temores que se querem seguros sossegados enterrados na lava,
 lava que irrompe do fundo do mar,
 construindo maremotos
 que tudo tapam sem misericórdia.
...
Sempre me lembro de ouvir o mar”
 numa ilha deserta, exuberantes os silêncios
 parados em tempo eterno pelo horizonte,
 parindo palavras no areal sem fim,
 lavadas depois
 pelas águas,
...
nas fúrias de um furacão.
 ...
(breve o instante... breve a loucura...)





Nota:

Sempre me lembro de ouvir o mar”, frase com que começa o livro “O Caçador de Tesouros” escrito por Jean-Marie Le Clézio prémio Nobel da Literatura em 2008

Em 1560, o jesuíta José de Anchieta descreveu assim o fogo-fátuo:

Junto do mar e dos rios, não se vê outra coisa senão o boitatá, o facho cintilante de fogo que rapidamente acomete os índios e mata-os”

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