quarta-feira, 14 de março de 2012

[o poema que faça o resto]

               Paulo Ricca, Ilha das Flores, Açores, Portugal

as pessoas dizem dos(des)encantos
nas manhãs despenteadas,
pelo vento, pela chuva,
apenas de sol,

jamais terei a certeza do
(des)engano, e desde já me fico
repetindo, enquanto ondulo palavras
colocando-lhes um til, uma onda,
coisa mínima.

Nestes desígnios incontroláveis,
de quem um dia se fez ao mar,
me aventuro sem rosa, ou cravo,
ou espada,
o poema que faça o resto,
e me deixe sossego.

Nas estradas tão sujas como
algumas rotas nos sargaços,
afunda-se a âncora,
como um sino que desaba nos
vitrais coloridos,
afinal, estanco-me destas
hemorragias, seco-me.

Faz-me falta, o teu olhar
coral.

[Longos são os sons da noite e o dia repete-se como o movimento de um pêndulo... isso, eu sei!]


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