quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Quantos lugares cabem dentro de mim


Perdi os tempos tentando conquistar Espaços
Limítrofes dirias de desafiadores
Agarrando os silêncios que eles transportavam Sós
Assim seja Sim.

Quantos lugares cabem dentro de mim quantos Cantos
Vazios sem os defuntos olhos negros ainda me resistem

Destecem-se as margens antes impossíveis Impenetráveis desanexados
Sejam vulcões vivos nascidos dos Mares Vida
Ressoando trovões despidos de Raios
Apenas desabafos repetidos dizias Tu correndo pelas
Tulipas que um dia brotaram das nuvens acinzentadas que
Cobriam marés recém-abertas

Afinal ainda procuro

Perduro


[Por fim].




sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Há pessoas que constroem casas fora de si sem jardins (Sem mar calmo)


Há homens e mulheres que constroem Casas
Dentro de si sem jardins ou mares à vista
Dirão da falta de espaço do tempo fugitivo algoz
Despem-se entre tijolos nus sem o branco da cal
Absortos

Calcorreio o mar despojado de gentes onde
Alguns sonhos naufragam símiles a barcos de papel
Se em ti penso desfaço ondulações
Apressando chegadas mesmo que breves

Há jardins e mares desertos
Que limitam faces da Lua refletidas pelas Noites
Seguidas sem descanso
Por vezes são árvores arrancadas das raízes
Mais que profundos abraços à Terra quente
Outras vezes são pássaros libertados de gaiolas
Decorando salas vazias decapitadas

Passo por esta Terra que não me pertence refaz-se
Reconstrói sonhos eventuais viagens Além-mares
Onde nascentes alimentam marés balouçando amarras

Há pessoas que constroem casas fora de si sem jardins
(Sem mar calmo)
Queixam-se do tempo das tempestades que carregam
Deste Mundo

Desassossegos




Espalhados.


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Despem-se nomes no tatear de nevoeiros selvagens


Se me perguntarem das margens do mar
Responderei das feridas crepitando falsas
Tréguas
Cansaço pelo voo dos pássaros sem pousos
Se as rotas me naufragarem assim
Que seja pela Noite breu sem cintilantes ou
Clarões de cometas deixando
Sextantes cegos

Há explicações por dias que se cruzam sossegando
Confidências despojadas em Tempo gasto
Crescente
E mesmo que o acordar esteja boiando
Sobre águas salgadas
Despem-se nomes no tatear de nevoeiros selvagens
Perpétuos famintos de nadas

Arrefeço o sentimento que atropela visões e vozes
Se me perguntarem das metamorfoses daqueles
Dias Noites
É das cadências ritmadas do olhar que Me
Lembrarei

Enfim algumas sombras restarão para sempre
Desassossegadas

Pálpebras semicerradas em vão.