quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Dir-me-às então do poema que um dia ficou para trás


Desliza a glória matinal despida de assombrações desta noite sem luar coberta pelo negro viúvo Deslumbro-me vendo-te aparecer pelo azul que teima em recortar alguns rochedos pontiagudos ou o horizonte pleno do olhar apenas sorrindo.

Sonho que se afugenta indelével
Liso espelho sem refletir contrários tão presentes
Piedade apenas pela gratidão de um mergulho infinito
No salso reino que habita o coração dos homens. Habita-me.

Quando tudo se silencia ouço-te. Resplandeces pela
Afonia do grito que estrebucha moribundo
Ou por palavras que apago enquanto a mente descansa
De um intenso respirar das ondas sobre a areia solta
Onde Náufragos rastejavam terminando viagens. Sobrevivo-me.

Valerá a pena esperar num cais coberto pelo mar em fúrias?

Dir-te-ei do manto de água que cobre a tua chegada
Dir-me-às então do poema que um dia ficou para trás
Preso ao espaço esperando pelo nascer das orquídeas tardias
Que avançam de frente para o mar

Sempre errante.

Cobre-me de ti


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Irreal fatalidade ou desejo presente nesse cio constante


Talvez me tenha tornado um nome, um lugar
Nessa fria possessão da vida errante
Em contínuas memórias cobertas por areais desertos
As rochas onde te encontrei sentada
Encontros

O tempo teimava em parar Desconhecido
Longe das cidades das pessoas Sem degradação
Desse sonho por onde tudo passou Ilimitado
Espaço que se Aboliu
Longe os labirintos entre marés conhecidas
De tanto repetidas revisitadas
Agitadas as águas do salso reino Indomáveis
Cavalos tresmalhados a galope na direção do Promontório
Irreal fatalidade ou desejo presente nesse cio constante

Curvei-me e estatelei-me
Pelo fundo das fossas tenebrosas mas eficazes
Como fugas sábias quando a noite roubava o dia
Sem álibis testemunhas Silêncio então

Emergimos fatalmente conscientes

O frio antigo evaporou-se
A mesma cor das cerejas estáticas
O mesmo odor das rosas bravias escondidas
As nossas  mãos cheias de Maresias
Sumptuosas

E assim
Respiramos em uníssono
Talvez então me tenha transformado

Num nome


[Só um].



segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

E pouco me interessam alguns destelhados

Photo by Andrea Kiss

Altero o caos que me decapita tentando salvar-me


E pouco me interessam alguns destelhados
Onde se abrigam Andorinhas tardias agarradas pelas
Chuvas últimas engrossadas
Ou rios que alagam terras de ressacas constantes
Inundam-me as rotas do pleno Mar violento
Inferno sem figuras

Estado puro violento selvagem indomável

Certo nada antecipa a história conhecida
Vezes demais repetida

Alvíssaras pela última garrafa

Lançada a estibordo.