terça-feira, 22 de janeiro de 2013

,geme a ondulação

a vida é sempre a perder”, será?



,refundem-se os ecos por entre nuvens
em cirros adormecidos,
nesta procela sempre presente.

,os ecos presentes, agitam-se, agigantam-se.

(I)

,da afonia o grito estrebucha
pelas rochas escondidas em preia-mar,
qual vinho sorvido sem gestos,

dispensam-se palavras gastas,
tantas as ausências

que se atravessam, breves vaus abandonados
por um mar em calmarias, vazadas.

(II)

,quisera-se um dia o nevoeiro escondendo faróis,
imaginados,
sôfregos das inúteis salvações, naufrágios,

,quiseram-se apenas veleidades travestidas de vontades tantas,

e a vontade presente que seja absurda.

,os corpos, o mar, os náufragos, os outros,

que o outro seja, jamais um eu.

(III)

Afinal, acordo-me em sonho,
rendo-me, despojo-me, desnudo-me

nesse desfraldar das velas ufanadas, aprisionadas
ao estático mastro,

(IIII)

[geme a ondulação, regressa o tempo parado, presente,
presente...].







Textos de Francisco Duarte


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