quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

,quando o mundo renasce de pernas para o ar

                                                                                              Costa de Caparica

,fala-me do inferno,

não do dantesco ou do satânico,
fala-me do teu, do que te corrói o corpo,
apodrece,

(I)

,ensina-me da vida,
da alegria, do sorriso, da viagem interminável
sem procelas tantas.

,ensina-me a andar,
revelando-me os caminhos dos luzeiros,
numa noite acesos, pelo desmemoriado tempo
presente, ou,

do cheiro das açucenas em flor,
das amendoeiras brancas pelo inverno,
ou do areal sem pétalas, sem orquídeas esvoaçando
sobre a espuma do repentino ondear.

,e,

(II)

,quando o mundo renasce de pernas para o ar,
pela madrugada,
lembro-me de ouvir o teu mar,

em sussurro,
em murmúrio, sem pausas.

,hoje,

(III)

,no dia em que as palavras se libertaram,
antes que o silêncio as autoflagelasse,
escrevo-te,

[seja sorriso, seja-te apenas um sorriso...].







Textos de Francisco Duarte por Ricardo Pocinho


3 comentários:

  1. Amei essa poesia. me fez pensar nas coisas que gosto, no mar, nos sussurros, nos som produzido pelo mar e por nos humanos, murmúrios de encontro.
    Passa um imagem bem diferente do que normalmente se pensa ao se ouvir falar em mundo de pernas para o ar. Parabéns.

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